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Em busca da felicidade. Onde está a felicidade, afinal? |
quinta-feira, 22 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Ceticismo
Ceticismo
é um estado de quem duvida de tudo, de quem é descrente. Um indivíduo cético
caracteriza-se por ter predisposição constante para a dúvida, para a
incredulidade.
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| Pirro de Élis |
A
terceira filosofia helenística importante, depois do estoicismo e do
epicurismo, é o ceticismo. Os céticos acreditavam que não podemos conhecer a verdade.
Tudo o que temos são ideias que podem ou não ser verdadeiras.
O
primeiro filósofo totalmente cético foi Pirro de Élis, que ensinou que não há
nada de que possamos estar seguros. Embora parta da idéia de que não podemos
conhecer nada, ele se preocupa com o efeito disso sobre o modo que deveríamos
agir.
O
ceticismo não pretende ser apenas um meio de criticar as ideias de todos os
outros filósofos, pelo contrário, pretende ajudar as pessoas a se acostumarem
com o fato de que muito do que acontece está além do nosso controle.
Portanto,
o cético questiona tudo o que lhe é apresentado como verdade e não admite a
existência de dogmas, fenômenos religiosos ou metafísicos.
O
cético pode usar o pensamento crítico e o método científico (ceticismo
científico) como tentativa de comprovar a veracidade de alguma tese. No
entanto, o recurso ao método científico não é uma necessidade imperiosa para o
cético, podendo muitas vezes preferir a evidência empírica para atestar a
validade das suas ideias.
O
ceticismo sustenta a impossibilidade de chegar a um juízo universal e
indiscutível, dada a universal incerteza que envolve a natureza do mundo e do
homem. Assim, nenhuma proposição pode ser afirmada sem que também seja possível
encontrar provas da proposição contrária. Daí decorre que a única atitude
correta a ser assumida pelo filósofo é não ter opiniões, assumindo a suspensão
de qualquer discurso afirmativo (epoché).
A
epoché cética é a necessária suspensão do juízo que caracteriza sua posição:
nem aceitar, nem rejeitar; nem afirmar, nem negar. Ela nasce da consideração de
que sempre é possível demonstrar o contrário de cada afirmação e que, portanto,
uma proposição nunca pode dizer-se verdadeira em absoluto. Todo saber reduz-se
a um opinável ponto de vista.
Fonte:
significados.com.br/ceticismo
giulianofilosofo.blogspot.com.br
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Pedro Abelardo (1079-1142)
Filósofo
e teólogo escolástico, Pierre Abélard ou Abailard, em latim Petrus Abelardus,
nasceu em Le Pallet, perto de Nantes, França, por volta do ano 1079, e morreu
no priorado de Saint-Marcel, perto de Châlons-sur-Saône, a 21 de abril de 1142.
Apaixonado
desde cedo pela filosofia, estudou lógica, entre 1094 e 1106, em Loches e
Paris, entrando logo em conflito com o tradicionalismo de seus mestres. Foi
professor em Melun, Corbeil e Paris, ensinando dialética, o que lhe valeu intermináveis
perseguições. Popular com os alunos era odiado pelos demais mestres.
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| Pedro Abelardo |
A
frase "a dúvida nos leva à pesquisa e através dessa conhecemos a
verdade" é um dos princípios de Abelardo que direciona tanto seus
pensamentos filosóficos como teológicos. O filósofo parte dessa idéia inicial
para formar e fundamentar o seu raciocínio crítico. A dúvida é onde começa o
caminho para a pesquisa, é uma frequente interrogação que nos leva a um exame
mais aprofundado das questões que nos interessam. Através da dúvida o filósofo
Abelardo emprega um caráter científico às suas investigações.
A dialética é para Abelardo muito
mais do que um discurso feito de forma habilidosa, ela é o instrumento que
ajuda a distinguir com clareza o verdadeiro do falso. Seguindo regras lógicas
ela vai conseguir determinar se o discurso científico é verdadeiro ou é falso.
Abelardo pretende utilizar o vigor da dialética nos estudos e nas argumentações
teológicas para descobrir quais são os argumentos legítimos e quais são os argumentos
não autênticos e através dela fazer prevalecer as verdadeiras doutrinas
cristãs. Não é a razão que vai assimilar a fé, mas a fé que vai apropriar-se da
razão, pois o discurso filosófico não vai tornar sem efeito o conjunto de
sentenças da teologia, mas vai auxiliar no seu entendimento e torná-lo mais
fácil de compreender. A filosofia vai ser a mediadora entre as verdades
reveladas e o pensamento humano. Segundo a filosofia de Abelardo, não é
possível crer nas coisas que não se compreende.
O método lógico de análise utilizado por
Abelardo consistia em estudar a questão filosófica fazendo um exame das partes
que a constituem, percebendo assim os diversos pontos de vista incoerentes e
contrários. É necessário a realização de uma investigação completa que vai
determinar as diferenças entre as argumentações de um tema. A razão vai
prevalecer sobre a opinião de quem tem grande entendimento sobre determinado
assunto. Abelardo não vai contra a utilidade do pensamento de uma autoridade
enquanto não houver meios ou conhecimentos suficientes para se colocar em
prática a razão. A partir do momento que a razão encontrar condições de por si
mesmo encontrar a verdade, a autoridade passa a ser inútil.
Abelardo busca fazer uma
conciliação, um entendimento, um acordo ou ao menos um diálogo ente os
primeiros filósofos, em especial Platão, e as teorias teológicas do
cristianismo. Pedro Abelardo acreditava que os primeiros filósofos, mesmo
estando fora do cristianismo, buscavam também a verdade através da investigação
lógica. Os primeiros filósofos e os filósofos cristãos estão unidos pela razão.
A essência de Deus é impossível de
ser definida, pois ela não pode ser expressa. E não pode ser expressa porque
para isso Deus teria que ser uma substância, e Deus está fora de todas as
coisas que conhecemos e que possamos vir a conhecer. Para tentar explicar a
trindade da pessoa divina Abelardo usa como metáfora a gramática que diferencia
quem fala, para quem se fala e o que se fala. Na unidade divina as três pessoas
podem ser uma só, pois é possível falar de si a si mesmo. A primeira pessoa é
também o fundamento das outras duas, pois se não existir quem fala não existirá
também o que se fala e a quem se fala.
Sobre
as questões éticas Abelardo afirma que o pecado não é em si a ação física, mas
o elemento psicológico dessa ação, ou seja, o pecado é a intenção de pecar e
não a ação.
Heloísa
Enquanto
professor em Notre Dame, conheceu a bela e culta Heloísa, sobrinha do cônego
Fulbert. Convidado por Fulbert, torna-se preceptor de Heloísa. Eles se
apaixonam e mantêm uma relação secreta durante os anos de 1117-1119. O
escândalo ocorre quando descobrem que terão um filho. Abelardo seqüestra
Heloísa, enquanto Fulbert exige o casamento, que acaba acontecendo, mas em segredo,
sem que Fulbert saiba.
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| Abelardo e Heloísa |
Sentindo-se
enganado, o cônego suborna um criado e outros de seus empregados, a fim de
realizar sua vingança. Em certa noite, todos invadem a casa de Abelardo,
castram o jovem e fogem. Humilhado, Abelardo se retira, então, para a Abadia de
Saint Denis, enquanto Heloísa se torna freira no Mosteiro de Argenteuil. Mais
tarde, os agressores foram presos e castigados com a mesma mutilação e com a
perda dos olhos, enquanto o cônego Fulbert teve seus bens confiscados e foi
desterrado de Paris.
Sem
abandonar a filosofia, Abelardo passa a dedicar-se aos estudos teológicos.
Escreve o "Tratado sobre a unidade e a trindade divina" ou
"Teologia do bem supremo", obra que foi condenada pelo Concílio de
Soissons (1121). Obrigado a abandonar a abadia por contestar a identificação
tradicional de Saint Denis com Dionísio, o Areopagita (um suposto mártir do
século 1 d. C.), fundou com seus discípulos o Mosteiro do Paracleto, que mais
tarde doou a Heloísa e suas freiras.
Como
abade de Saint-Gildas-de-Ruys, combateu a corrupção e quase foi assassinado
pelos monges corruptos. Voltando a ensinar na escola de Sainte Geneviéve,
recomeçaram os ataques às suas doutrinas teológicas e viu-se condenado pelo
papa e pelo Concílio de Sens. Pretendia apelar para Roma, mas morreu antes de
se realizar esse desejo.
Fonte:
educação.uol.com.br
Filosofia.com.br
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Maniqueísmo
O
maniqueísmo era uma heresia cristã fundada no século III d. C. por Manés, que
misturava as doutrinas de Zoroastro com o cristianismo. Tinha como pontos
centrais em sua doutrina a crença na existência eterna de dois princípios, o
bem e o mal, sendo que o bem é o próprio Deus, que domina o reino da Luz, e o
mal, as próprias trevas, que é também substância.
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| Manes (profeta) |
Estes
dois princípios comunicam a sua substância aos seres, que são bons ou maus
conforme a sua origem. Para os maniqueus, houve uma luta entre os reinos da luz
e das trevas, no qual os demônios arrebataram partículas de luz. Satanás gerou
Adão e comunicou-lhe estas partículas, que seriam as almas dos homens. Deus,
para libertar a luz do cativeiro da matéria, criou o Sol, a Lua, os astros e a
terra, sendo que esta é de matéria corrompida.
O
homem, para eles, é constituído de partes diferentes, cada uma com uma
natureza. O corpo é matéria corrompida, oriundo do mal, e o espírito provém de
Deus.
Por
nove anos Agostinho se dedicou às discussões e à elaboração de pensamento
maniqueísta. Graças ao seu interesse e à grande capacidade tornou-se um dos
grandes expoentes maniqueus de sua época. Os esquemas maniqueístas pareciam
combinar as vantagens da explicação cristã com as vantagens da explicação
filosófica. “Os dados de seu (maniqueísta) sistema eram familiares em muitos
pontos a um jovem que crescera em um lar cristão. Sustenta-se que Deus é
inteira e sumamente bom, incapaz de qualquer mal; reconhece-se o homem como
criatura composta, constituída de corpo e alma. A tarefa do homem é procurar o
bem; ele só pode ver seu caminho por iluminação divina”.
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| Santo Agostinho de Hipona |
Muitas
das proposições de Agostinho nas “Confissões” com relação a Deus e sua natureza
parecem vir da experiência maniqueísta. O Saltério Maniquel, texto que expunha
as bases das crenças do maniqueísmo, permitiu, com certeza, que Agostinho
pensasse filosoficamente certas categorias presentes no cristianismo apenas de
maneira superficial. “O maniqueísmo forneceu a Agostinho as primeiras
ferramentas experimentais para o auto-exame psicológico”. Após a conversão
Agostinho passou a refutar sua experiência maniqueísta, como é evidente nas
“Confissões”, onde ele afirma que foi enganado por falsas verdades, nas quais
ele inocentemente cria. Apesar disso, as noções adquiridas do contato com o
maniqueísmo estão vivas, presentes em toda a sua extensa obra e seriam, por
conseqüência, passadas à formulação da fé cristã medieval.
Agostinho
retornou a Tagasta, sua cidade natal, em 375 d. C. e ali permaneceu por um ano.
De 376 a 383 d. C. voltaria a residir em Cartago, agora como professor. Embora
fosse um “dialético” maniqueísta competente e reconhecido, os argumentos do
maniqueísmo já não eram suficientes para resolver suas inquietações
filosóficas. As explicações através dos mitos cósmicos dos maniqueístas
pareciam atrapalhar a descoberta racional de Deus. A última esperança: o grande
sábio maniqueu Fausto, que Agostinho há muito desejava conhecer. O encontro
entre os dois teve um tom de frustração para Agostinho, pois o “Venturoso”
mostrou-se incapaz de responder às perguntas mais profundas sobre a verdade
maniqueísta. “O que já me haviam dito foi-me apresentado por ele de uma maneira
muito mais suave. Mas como coisas servidas em taças mais ornamentadas saciariam
minha sede?”
O entusiasmo de Agostinho dava sinais de
esgotamento. “Agostinho viu-se olhando mais fundo e mais frequentemente em sua
alma, e descobrindo sutilezas e complexidades que não eram explicadas pelas
cores nítidas primárias da explicação maniquéia”. Sua ida para Roma, em 383 d.
C., e a permanência na Itália até 388 d. C. selaria seu afastamento do
maniqueísmo.
Fonte:
pesquisasparasitas.blogspot.com
quinta-feira, 8 de maio de 2014
A Escolástica: o aristotelismo de Tomás de Aquino
No
segundo período medieval, conhecido como Baixa Idade Média, ocorreram mudanças
fundamentais no campo da cultura já a partir do século XI, sobretudo em razão
do renascimento urbano. Ameaças de ruptura da unidade da Igreja e heresias
anunciavam o novo tempo de contestação e debates em que a razão buscava sua
autonomia.
Foi
assim, no ambiente cultural dessas escolas e das primeiras universidades do
século XI, que surgiu uma produção filosófico-teológica denominada escolástica (palavra derivada de
escola).
Escolástica
No período escolástico, a busca de
harmonização entre fé cristã e a razão manteve-se como problema básico de
especulação filosófica. Nesse contexto, a escolástica pode ser dividida em três
fases:
·
Primeira
fase
(do século XI ao fim do século XII) – confiança na perfeita harmonia entre fé e
razão;
·
Segunda
fase
(do século XIII ao principio do século XIV) – elaboração de grandes sistemas
filosóficos, merecendo destaque as obras de Tomás de Aquino. Nessa fase,
considera-se que a harmonização entre fé e razão pode ser parcialmente obtida;
·
Terceira
fase
(do século XIV até o século XVI) – decadência da escolástica, marcada por
disputas que realçam as diferenças entre fé e razão.
Além
de apresentar o traço fundamental da filosofia medieval, que é a referencia às
questões teológicas, a escolástica promoveu significativos avanços no estudo da
lógica.
Um
problema filosófico que gerou muitas disputas foi à discussão sobre a
existência ou não das ideias gerais, isto é, os chamados universais de Aristóteles. Tal discussão ficou conhecida como a
questão dos universais, ou seja, da relação entre as coisas e seus conceitos.
Na questão dos universais surgiram duas posições antagônicas: o realismo e o
nominalismo.
·
Realismo:
Os adeptos do realismo sustentavam a tese de que os universais existiam de
fato, ou seja, as ideias universais existiam por si mesmas. Assim, por exemplo,
a bondade e a beleza seriam modelos ou moldes a partir doa quais se criariam as
coisas boas e as coisas belas. Outro exemplo, o substantivo brancura teria uma perfeição maior do
que o adjetivo branco, que se refere
a um ente singular. Na mesma linha de raciocínio de Platão, o universal
brancura seria mais perfeito do que qualquer coisa branca existente.
·
Nominalismo:
os defensores do nominalismo sustentavam a tese de que os termos universais,
tais como beleza e bondade, não existiriam em si mesmos, pois seriam somente palavras, sem existência real. Para os
nominalistas, o que há são apenas os seres singulares, e o universal não passa,
portanto, de um nome, uma convenção.
Santo
Tomás de Aquino
A filosofia de Tomás de Aquino
(1226-1274) – o tomismo – parece ter nascido com objetivos claros: não
contrariar a fé. De fato, sua finalidade era organizar um conjunto de
argumentos para demonstrar e defender as revelações do cristianismo.
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| Santo tomás de Aquino |
Monge dominicano, Tomás de Aquino,
utilizou traduções de Aristóteles feitas diretamente do grego. Sua obra
principal, a Suma teológica, é a
mais fecunda síntese da escolástica. Embora continuasse a valorizar a fé como
instrumento de conhecimento, ele não desconsidera a importância do
“conhecimento natural”. Se a razão não pode conhecer, por exemplo, a essência
de Deus, pode, no entanto, demonstrar sua existência ou a criação divina do
mundo. Uma dessas provas é baseada na Metafisica
de Aristóteles, quando o movimento do mundo em ultima instancia é explicado por
Deus, causa incausada.
Além disso, tal como Aristóteles, para
explicar o conhecimento, Aquino reconhece a participação dos sentidos e do
intelecto: o conhecimento começa pelo contato com as coisas concretas, passa
pelos sentidos internos da fantasia ou imaginação até a apreensão de formas
abstratas.
No entanto, se a recuperação do
aristotelismo revelou-se recursos fecundo no tempo de Tomás de Aquino, no
Renascimento e na Idade Moderna a escolástica tornou-se entrave para a ciência.
Basta lembrar a crítica de Descartes e a luta de Galileu contra o saber
intransigente dos escolásticos, fiéis demais à astronomia e à física
aristotélicas e, portanto, avessos às novidades da ciência nascente.
Proclamado pela Igreja Católica como Doutor Angélico e Doutor por Excelência, Tomás de Aquino é reverenciado nos meios
católicos por filósofo e professor de filosofia.
Fonte:
Filosofando – Introdução à filosofia. Ed. Moderna
Fundamentos de Filosofia. Ed.
Saraiva
segunda-feira, 5 de maio de 2014
A Patrística: o platonismo de Agostinho
No
processo de desenvolvimento do cristianismo, tornou-se necessário explicar seus
preceitos às autoridades romanas e ao povo em geral. A Igreja Católica sabia
que esses preceitos não podiam simplesmente ser impostos pela força. Tinham de
ser apresentados de maneira convincente, mediante um trabalho de pregação e
conquista espiritual.
Como
não poderia deixar de ser, a grande questão discutida pelos intelectuais da
Idade Media era a relação entre razão e fé, entre filosofia e teologia.
Destacaremos aqui duas tendências filosóficas: a patrística e a escolástica.
Patrística
A patrística
é a filosofia dos chamados Padres da
Igreja, que teve inicio no período de decadência do Império Romano, quando
o cristianismo se expandia, a partir do século II – portanto, ainda na
Antiguidade. No esforço de converter os pagãos,
combater as heresias e justificar a
fé, aqueles religiosos escreveram obras de apologética,
para justificar o pensamento cristão.
Os Padres recorreram inicialmente à
obra de Plotino (204-270), um neoplatônico. Adaptando o pensamento pagão,
realizaram uma grande síntese com a doutrina cristã.
Na primeira metade do período medieval,
conhecida como Alta Idade Média, foi enorme a influência dos Padres da Igreja.
Vários pensadores de saber enciclopédico retornaram a cultura antiga, dando
continuidade ao trabalho de adequação da herança clássica às verdades
teológicas.
Agostinho
de Hipona
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| Agostinho de Hipona |
Um
dos principais representantes dessa corrente filosófica foi Agostinho (354-430). Agostinho nasceu
em Tagaste, província romana situada na África, e faleceu em Hipona, hoje
localizada na Argélia. Nessa última cidade viria a ocupar o cargo de bispo da
Igreja Católica.
Em
sua formação intelectual, Agostinho, professor de retórica em escolas romanas,
despertou para a filosofia com a leitura de Cicero. Posteriormente, deixou-se influenciar pelo maniqueísmo, doutrina persa que afirmava
ser o universo dominado por dois grandes princípios opostos, o bem e o mal, em
uma incessante luta entre si.
O
pensamento agostiniano (de Agostinho) reflete, em grande medida, os principais
passos de sua trajetória intelectual anterior à conversão ao catolicismo,
quando sofreu a influência do helenismo. Vejamos alguns elementos:
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| Santo Agostinho e o Maniqueísmo |
· Do maniqueísmo o filósofo herdou uma concepção dualista no âmbito moral, simbolizada pela luta entre o bem e o
mal, a luz e as trevas, a alma e o corpo. Nesse sentido, dizia que o ser humano
tem uma inclinação natural para o mal, para os vícios, para o pecado. Insistia
em que já nascemos pecadores (pecado original) e somente um esforço consciente
pode nos fazer superar essa deficiência “natural”. Considerando o mal como o
afastamento de Deus, defendia a necessidade de uma intensa educação religiosa,
com a finalidade de reduzir essa distância.
·
Do ceticismo ficou a permanente desconfiança nos dados dos sentidos,
isto é, no conhecimento sensorial, que nos apresenta uma multidão de seres
mutáveis, flutuantes e transitórios.
·
Do platonismo Agostinho assimilou a concepção de que a verdade, como
conhecimento eterno, deveria ser
buscada intelectualmente no “mundo das ideias”. Por isso defendeu a via do autoconhecimento, o caminho da interioridade, como instrumento legitimo
para a busca da verdade. Assim, somente o íntimo de nossa alma, iluminada por
Deus, poderia atingir a verdade das coisas. Da mesma forma que os olhos do
corpo necessitam da luz do sol para enxergar os objetos do mundo sensível, os
“olhos da alma” necessitam da luz divina para visualizar as verdades eternas d
sabedoria.
Fonte:
Filosofando – Introdução à filosofia. Ed. Moderna
Fundamentos de Filosofia. Ed.
Saraiva
quinta-feira, 1 de maio de 2014
A Filosofia Medieval
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| A colheita na Idade Média |
A
Idade Média compreende mil anos de história (do séc. V ao XV). O império romano
do Ocidente sofreu ataques constantes dos povos bárbaros. Os sucessivos e
violentos confrontos, principalmente as invasões germânicas, levaram ao seu
esfacelamento. Desenvolveu-se, a partir de então, uma nova estrutura da vida
social europeia, que corresponde ao período medieval.
Em
meio a todas as mudanças, a Igreja Católica conseguiu manter-se como
instituição social. Consolidou sua organização religiosa e difundiu o cristianismo,
preservando, também, muitos elementos da cultura greco-romana.
No
plano cultural, a Igreja exerceu ampla influência, traçando um quadro
intelectual em que a fé cristã tornou-se o pressuposto (isto é, o antecedente
necessário) de toda vida espiritual, o que marcou exponencialmente o pensamento
filosófico produzido nesse período.
Fé
e Razão
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| A Criação de Adão, teto da Capela Sistina Vaticano - Michelangelo Buonarroti |
De
acordo com a doutrina católica, a fé em si mesma seria a fonte mais elevada das
verdades reveladas, especialmente aquelas consideradas essenciais ao ser humano
e que dizem respeito à sua salvação.
Com
isso, toda investigação filosófica ou cientifica não poderia, de modo algum,
contrariar as verdades estabelecidas pela fé católica. Em outras palavras, os
filósofos não precisavam mais se dedicar à busca da verdade, pois ela já teria
sido revelada por Deus aos seres humanos. Restava-lhes, apenas, demonstrar
racionalmente as verdades da fé.
Não
foram poucos, porém, aqueles que dispensaram até mesmo essa comprovação
racional da fé. Foi o caso de religiosos que desprezavam a filosofia grega,
sobretudo porque viam nessa forma pagã de pensamento uma porta aberta para o
pecado, a dúvida, o descaminho e a heresia.
Entretanto
surgiram pensadores cristãos que defenderam o conhecimento da filosofia grega,
percebendo a possibilidade de utilizá-la como instrumento a serviço do
cristianismo. Conciliado com a fé cristã, o estudo da filosofia grega permitia
à Igreja enfrentar os descrentes e derrotar os hereges com as armas racionais
da argumentação lógica.
O
objetivo era convencer os descrentes, tanto quanto possível, pela razão, para
depois fazê-los aceitar a imensidão dos mistérios divinos, somente acessíveis
pela fé. Nesse contexto, a filosofia medieval pode ser dividida em dois
momentos principais: a patrística e a escolástica.
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