segunda-feira, 7 de julho de 2014
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Filosofia Moderna (Resumo)
Conhecemos
como Filosofia Moderna toda aquela
que se desenvolveu durante os séculos XV, XVI, XVII, XVIII e XIX, tendo início
no período do Renascimento, porém, por estar sendo tratada em um período tão
longo esta filosofia não possui uma uniformidade, ela se encontra dividida em
diversos fragmentos de acordo com as escolas dos diferentes períodos dos quais
passou. São eles:
Filosofia
do Renascimento
Filosofia
do século XVII
Filosofia
do século XVIII
Filosofia
do século XIX
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| René Descartes |
No
período moderno a filosofia passou a ter uma divisão melhor de seu foco de
estudo. No início ainda era comum vermos questões no que dizia respeito a
provar a existência de Deus e a imortalidade da alma, principalmente em textos
de René Descartes e George Berkeley, em suas obras as Meditações e o Tratado,
de autoria dos dois, respectivamente. Porém, muitos filósofos deste período
pareciam estar usando a filosofia para abrir caminhos que pudessem ajudar a
fundamentar algum tipo de concepção, de ideia. Era como se tentassem encontrar
uma forma de provar aquilo que tentavam passar.
Podemos
citar alguns desses filósofos e seus problemas filosóficos como exemplo:
Descartes:
Buscava conseguir algum fundamento para explicar uma determinada concepção
científica;
John Locke:
Buscava preparar o território para que fosse mais fácil a ciência tomar um rumo
e agir de maneira mais direta;
Berkeley:
Buscava competir com alguma conclusão científica, contrapondo-se aos métodos
utilizados pela ciência.
Com
o passar dos tempos a filosofia moderna foi sofrendo algumas alterações,
deixando de ter seu foco diretamente relacionado ao conhecimento material e a
descoberta de todas as verdade, deixando esse papel para que as ciências
buscassem descobrir, como também deixando um pouco de lado as questões de
tentar justificar as crenças religiosas, tão abordadas no período filosófico
anterior.
De
acordo com diversas obras que vieram em seguida, principalmente as de Immanuel Kant, a filosofia
passava a ser chamada de “virada epistemológica”, onde a preocupação agora era
com as condições do conhecimento humano e sua clarificação.
Renascimento
Consideramos
de Renascença o período da filosofia que está entre a Idade média e o
Iluminismo na Europa, o que inclui o século XV. Segundo alguns estudiosos,
podemos estender esse período até o início dos anos de 1350, até os últimos
anos do século XVI ou até mesmo o começo do século XVII, depois de Cristo.
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| John Locke |
Chamamos
de Renascença porque ela se dá como um renascimento da filosofia, sendo
contrário as reformas religiosas, renovando o aprendizado no que diz respeito a
civilização clássica. Tendo iniciado na Itália, com o Renascimento Italiano,
ela logo tomou proporções mais amplas se espalhando por toda a Europa. Um nome
importante para o renascimento inglês, por exemplo, em se tratando da expansão
pela Europa, é Shakespeare, que se tornou um dos mais importantes pensadores da
época sendo lembrado até os dias de hoje.
Sua
importância para o século XVI foi enorme, o que não impediu que ela viesse a
sofrer várias divisões. No final de seu período ela passou pelas Reformas e
contra reformas, verdadeiros marcos na história da Renascença, conforme citam
alguns historiadores, enquanto outros veem apenas como um período extenso, sem
tanto significado assim.
Filosofia do século
XVII
Considerada
como uma forma de ver o princípio da filosofia moderna, se distanciando da
forma de pensar do pensamento medieval, é comum vermos essa filosofia sendo
chamada de “idade da razão”, já que ela é tida por muitos como uma sucessora da
renascença, precedente do iluminismo. É comum vermos esta filosofia como uma
prévia da visão iluminista.
Século XVII
Também
conhecida como Iluminismo, foi um movimento filosófico que aconteceu na Europa
e em alguns países do continente americano, que também inclui em seus
diferentes períodos a idade da razão. Podemos fazer uma ligação do termo com a
base primária da autoridade, que defendia a razão, um movimento intelectual do
iluminismo. Este período se encerra geralmente entre os anos de 1800.
Século XIX
Neste
século os filósofos do Iluminismo tinham como referência o trabalho de
filósofos como Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau, o que contribuiu para
influenciar uma nova geração de pensadores. Aconteceram nesse período fortes
revoluções e turbulências decorrentes das pressões do Igualitarismo, que viriam
a provocar mudanças bem visíveis na filosofia.
O contexto filosófico
A
partir de então quem passava a ser o fim para a realização das coisas é o
homem, ao contrário da filosofia antiga, que via o homem como um meio pelo qual
se chegava a alguma coisa, tendo essa análise do ponto de vista político,
podemos dizer que ele tem ligação com o individualismo e a valorização da ideia
do trabalho. Esse individualismo nada mais era que uma consequência da
igualdade entre as pessoas. Sobre o trabalho, ele é visto com uma forma do
homem realizar a sua missão na terra, ajudando a construir o mundo, uma visão
bem diferente de antigamente, quando se achava que o trabalho era um defeito, e
por isso deveria ser direcionado apenas aos escravos.
Fonte: estudopratico.com.br
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Inquisição
A
transição para a mentalidade cientifica moderna não foi um processo súbito e
sem resistência. Forças ligadas ao passado medieval lutaram duramente contra as
transformações que se desenvolviam, punindo, por exemplo, muitos pensadores da
época e organizando listas de livros proibidos (o index).
Foi
nesse contexto que vários pioneiros da ciência moderna sofreram perseguição da Inquisição, tribunal instituído
pela Igreja Católica com o fim de descobrir e julgar os responsáveis pela
propagação de heresias, isto é, concepções contrárias aos dogmas dos católicos.
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| Giordano Bruno |
A
Inquisição foi criada em 1232 pelo papa Gregório IX. Sua ação estendeu-se por
vários reinos cristãos, como Itália, França, Alemanha, Portugal e,
especialmente, Espanha. Com o decorrer do tempo, reduziu suas atividades, que
somente foram reativadas em meados do século XVI, diante do avanço do
protestantismo.
Exemplo
marcante dessas perseguições é o julgamento do pensador italiano Giordano Bruno (1548-1600),
condenado à morte na fogueira por contestar o pensamento católico, que se
apoiava na ideia de que o planeta Terra era o centro imóvel do universo. Essa
noção geocêntrica estava fundamentada na astronomia do grego Ptolomeu, na
física de Aristóteles e em certas interpretações da Bíblia.
Contra
essa concepção, Giordano Bruno defendeu a teoria heliocêntrica, formulada por Nicolau Copérnico, e afirmou que
o universo é um todo infinito, cujo centro não está em
parte alguma. As perseguições que sofreu por isso são denunciadas nestas
palavras:
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| Nicolau Copérnico |
“Por ser eu delineador do campo da natureza,
por estar preocupado com o alimento da alma, interessado pela cultura do
espírito e dedicado à atividade do intelecto, eis que os visados me ameaçam, os
observados me assaltam, os atingidos me mordem, os desmascarados me devoram”
(Bruno, Sobre o infinito, o universo e os mundos, p.3).
A
formulação de Copérnico de que é o Sol, e não a Terra, o centro do universo
atingia a concepção medieval cristã de que o ser humano é o ser supremo da
criação e que, por isso, seu habitat, a Terra, deveria ter o privilégio de ser
o centro em relação aos outros astros. Compreende-se assim o mal-estar causado
pela tese copernicana.
Outro
aspecto que incomodou as autoridades católicas foi que a natureza e o universo
passaram a ser concebidos a partir de um novo paradigma, baseado tanto na
observação direta como na representação matemática. Essa mudança de atitude e
seus resultados foram entendidos como uma ameaça aos dogmas da Igreja, e
poderiam afastar as pessoas da fé cristã.
Fonte:
Fundamentos de Filosofia
terça-feira, 17 de junho de 2014
Renascimento
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| O Nascimento de Vênus de Sandro Botticelli |
Para
entender o que foi às mudanças ocorridas no século XV-XVI, é necessário compreender
o que foi o movimento cultural conhecido por Renascimento. Tendo por berço a península Itálica, criaria
as bases conceituais e de valores que permitiriam o impulso da razão e da ciência
no século XVII.
Inspirado
no humanismo – movimento de
intelectuais que defendiam o estudo da cultura greco-romana e o retorno a seus
ideais de exaltação do ser humano e de seus atributos, como a razão e a liberdade –, o Renascimento propiciou o desenvolvimento de
uma mentalidade racionalista.
Revendo maior disposição para investigar os problemas do mundo, o indivíduo
moderno aguçou seu espírito de observação sobre a natureza, dedicou mais tempo
à pesquisa e às experimentações, abriu a mente ao livre exame de mundo.
| A Batalha de Lepanto de Veronese |
Esse
conjunto de atitudes contrapunha-se, em grande medida, à mentalidade medieval típica,
influenciada pelo pensamento contemplativo e mais submissa às chamadas verdades
inquestionáveis da fé. O pensador moderno buscaria não somente conhecer a
realidade, descobrir as leis que regem os fenômenos naturais, mas também
exercer controle sobre ela. O objetivo era prever
para prover, como se diria
mais tarde.
Isso
não significou, porém, um completo abandono das questões cristãs medievais, o
que se torna claro se observamos o fundo religioso que persiste nas obras
intelectuais e artísticas desse período. O que ocorreu foi uma renovação no
tratamento dessas questões, a partir de uma nova perspectiva humana, de uma “humanização”
do divino.
Principais
representantes do Renascimento Italiano e suas principais obras:
- Giotto di Bondone (1266-1337) -
pintor e arquiteto italiano. Um dos precursores do Renascimento. Obras
principais: O Beijo de Judas, A Lamentação e Julgamento Final.
- Fra Angelico (1395 - 1455) -
pintor da fase inicial do Renascimento. Pintou iluminuras, altares e afrescos.
Obras principais: O coração da virgem, A Anunciação e Adoração dos Magos.
- Michelangelo Buonarroti
(1475-1564)- destacou-se em arquitetura, pintura e escultura.Obras principais:
Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina (Juízo Final é a mais
conhecida).
- Rafael Sanzio (1483-1520) -
pintou várias madonas (representações da Virgem Maria com o menino Jesus).
- Leonardo da Vinci (1452-1519)-
pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc. Obras
principais: Mona Lisa, Última Ceia.
- Sandro Botticelli - (1445-1510)-
pintor italiano, abordou temas mitológicos e religiosos. Obras principais: O
nascimento de Vênus e Primavera.
- Tintoretto - (1518-1594) -
importante pintor veneziano da fase final do Renascimento. Obras principais:
Paraíso e Última Ceia.
- Veronese - (1528-1588) - nascido
em Verona, foi um importante pintor maneirista do Renascimento Italiano. Obras
principais: A batalha de Lepanto e São Jerônimo no Deserto.
- Ticiano - (1488-1576) - o mais
importante pintor da Escola de Veneza do Renascimento Italiano. Sua grande obra
foi O imperador Carlos V em Muhlberg de 1548.
Fonte: Fundamentos de Filosofia
suapesquisa.com
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Idade Moderna: A revalorização do ser humano e da natureza
Iniciemos
nosso percurso neste assunto considerando alguns aspectos sociais, políticos, econômicos
e culturais relevantes desse período histórico que se convencionou chamar de
Idade Moderna (que vai de meados do século XV ao século XVIII).
Eles
nos ajudarão a compreender as mudanças na produção filosófica dessa fase. A partir
do século XV, uma série de acontecimentos deflagrou diversos processos que
levavam a grandes transformações das sociedades europeias. Entre eles, podemos
destacar:
* A
passagem do feudalismo para o capitalismo, que se vinculou
ao florescimento do comércio, ao
estabelecimento das grandes rotas comerciais, ao predomínio do capital
comercial e à emergência da burguesia;* A formação dos Estados nacionais, que fez surgir novas concepções político-econômicas, como a discussão sobre as formas do poder político (ocorreu então a centralização do poder através da monarquia absoluta) e a questão comercial (desenvolveu-se nesse período o mercantilismo e o fortalecimento econômico de alguns Estados, levando ao impulso das grandes navegações marítimas, à descoberta do Novo Mundo e ao estabelecimento das colônias);
* O
movimento da Reforma, que provocou a quebra da unidade
religiosa e rompeu com a concepção passiva do ser humano, entregue unicamente
aos desígnios divinos, reconhecendo o trabalho humano como fonte da graça
divina e origem legítima da riqueza e da felicidade. Também concebeu a razão
humana como extensão do poder divino, o que colocava o indivíduo em condições
de pensar livremente e responsabilizar-se por seus atos de forma mais autônomas;
* O
desenvolvimento da ciência natural, que criou novos métodos científicos de investigação, impulsionados pela confiança na razão humana e pelo
questionamento de sua submissão aos dogmas do cristianismo. A Igreja Católica,
por sua vez, perdia nesse momento parte de seu poder de influência sobre os
Estados e de dominação sobre o pensamento;
* A
invenção da imprensa, que possibilitou a impressão dos
textos clássicos gregos e romanos, contribuindo para a formação do humanismo. A
divulgação de obras científicas, filosóficas e artísticas, que se tornaram a
partir de então acessíveis a um numero maior de pessoas, propiciou maior grau
de consciência e liberdade de expressão.
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| Rei da França Luis XIV |
Todos
esses acontecimentos modificaram, em muitas regiões, o modo de ser, viver e perceber
a realidade de grande número de europeus. Nas artes, nas ciências e na
filosofia surgiram novas ideias, concepções e valores.
Um
exemplo importante dessas mudanças foi o desabrochar de uma tendência social antropocêntrica (que tem o ser humano
como centro), de valorização da obra e compreensão humanas, em lugar da
supervalorização da fé cristã e da visão teocêntrica
(que tem Deus como centro) da realidade.
Isso
levou ao desenvolvimento do racionalismo
e de uma filosofia laica (não
religiosa) que se mostrarão, de modo geral, otimistas em relação à capacidade
da razão de intervir no mundo, organizar a sociedade e aperfeiçoar a vida
humana.
Fonte:
Fundamentos de filosofia
quinta-feira, 5 de junho de 2014
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Narciso e Eco
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| Narciso e Eco |
Narciso,
um jovem de extrema beleza, era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope.
No entanto, apesar de atrair e despertar cobiça nas ninfas e donzelas, Narciso
preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecer seu
amor. E foi o seu desprezo pelos outros que o derrotou.
Quando
Narciso nasceu, sua mãe consultou o adivinho Tirésias que lhe predisse que
Narciso viveria muitos anos desde que nunca conhecesse a si mesmo. Narciso
cresceu tornando-se cada vez mais belo e todas as moças e ninfas queriam seu
amor, mas ele desprezava a todas.
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| Narciso |
O
nome Narciso (tema narkhé = torpor, como em narcótico para nós) já parece
indicar o que sua existência significaria: sua beleza entorpece, atordoa,
embaraça a todos aqueles por quem ela é vista. Mas também, por sua ascendência,
Narciso tem estreita relação com a ideia de água, escoamento e fertilidade, por
parte de pai, bem como mansidão, voz macia e leveza (por parte de mãe). Tudo
isso influenciaria sua vida. Vejamos por quê.
Conta-se
que, certa vez, Narciso passeava nos bosques. Perto dali, a ninfa ECO, que era
uma tagarela incorrigível, acompanhava-o, admirando sua beleza, mas sem deixar
que a notasse. Eco, em virtude de sua tagarelice, foi punida por Hera, esposa
de Zeus, para que sempre repetisse os últimos sons que ouvisse (por isso, na
física, chamamos de eco a reverberação do som). Por sua vez, Narciso,
suspeitando de que estava sendo seguido, perguntou: “quem está aí?”. E ouviu:
“Alguém aí?” Então, ele gritou novamente: “Por que foges de mim?”. E ouviu
“foges de mim”. Até dizer “Juntemo-nos aqui” e ter como resposta “juntemo-nos
aqui”. Toda essa repetição acabou deixando Narciso angustiado por desejar amar
algo que não poderia ver.
Dessa
forma, Narciso entristeceu-se e foi à beira de um lago, onde, de modo
surpreendente, deparou-se com sua imagem nos reflexos da água. Como nunca antes
havia se olhado (pois sua mãe foi recomendada a não permitir que isso
ocorresse), enamorou-se perdidamente, acreditando ser a pessoa com quem estava
“dialogando”. Por isso, tentou buscar incessantemente o seu reflexo, imergindo
nas águas nesse intento, mas acabou morrendo afogado. A ninfa Eco sentiu-se
culpada e transformou-se em um rochedo, vivendo a emitir os últimos sons que
ouve. Do fundo da lagoa, surgiu a flor que recebeu o nome de Narciso e tem as
suas características.
O
mito de Narciso e Eco é, até hoje, estudado pelos psicólogos. Alguns explicam
que o alter ego, isto é, o outro que nos completa, é buscado fora de si, mas
sempre como um retorno a si mesmo. Essa
compreensão mostra o quanto somos egoístas em relação às nossas necessidades, a
ponto de ser possível uma relação entre um mito da Antiguidade e as sociedades
de consumo do sistema capitalista de produção. Isso porque nesse sistema vivemos
em busca de preencher o vazio libidinal que nos atormenta, redirecionando
nossas pulsões sexuais para a satisfação na aquisição de bens. Ora, é essa
tentativa de satisfação que promove um individualismo exacerbado no mundo
contemporâneo, sendo, por isso, apelidado de sociedade narcisista.
O
erro de Narciso
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| Monalisa aderindo ao Selfie |
Acho
que todos conhecem a história de Narciso, não? Apaixonado por suas selfies,
nada mais fez de sua vida senão contemplar-se no Instagram, até nele mergulhar
e morrer. Dizem que isso é mito e muito antigo, coisa de grego. Só se for a
parte do mergulhar e morrer (se bem que…) porque, no mais, Narciso segue vivo,
firme e forte, com o perfil ativo no Facebook e em todo canto da internet.
Narciso, hoje, é legião.
Uma
de suas características principais, segundo o filósofo Louis Lavelle, que
escreveu um livro a respeito, do qual tomei de empréstimo o título acima, é
procurar mais aquilo que o agrada do que aquilo que ele é. Cientistas sociais,
psicólogos, especialistas de toda ordem, estudam, pesquisam, analisam,
teorizam, discutem, há tempo o narcisismo e as redes sociais, terreno fértil
para sua propagação, e seus estudos costumam demonstrar que muitos tendem a se
sentir mal, tristes, sozinhos, depressivos, invejosos, quando veem os amigos
nas redes sociais publicando fotos de festas, viagens, férias, e por aí vai.
Claro, naquele momento, é mais agradável ser eles do que eu.
Parece
coisa de adolescente, e é – Narciso, aliás, tinha 16 anos. Mas hoje em dia a
adolescência esticada é um fato, e os 16 anos de Narciso devem equivaler aos 42
anos na atualidade. É uma epidemia, portanto.
Seria
o caso de perguntar em que ponto o amor-próprio se torna doença e volta-se
contra si mesmo. Mas acredito que quando se torna mania publicar selfies logo
que consumado o ato sexual (#AfterSex), ou sua variante a mostrar como ficou
seu cabelo depois (#AfterSexHair), ou para mostrar sua roupa e expressão facial
quando se está num funeral (#funeral), enfim, quando chegamos a isso, algo me
diz que aquele ponto já foi ultrapassado faz tempo e falar de limites seria até
interessante, mas tão produtivo quanto analisar o pênalti perdido por Zico na
Copa de 1986.
Na
verdade, embora quando se fale de narcisismo logo venha à mente vaidade, seu
significado tem mais a ver com entorpecimento, que vem da origem grega do seu
nome, narkhé. E é essa, parece-me, a marca registrada do narcisismo do nosso
tempo, que já se fez antigo e, pelo visto, perdurará bastante. Estamos
entorpecidos, narcotizados moral e espiritualmente, tanto que dá sono só de ler
essas palavrinhas, como se a mera menção despertasse um fiscal chato com a
única finalidade de estragar prazeres. É proibido proibir, e beijinho no ombro
a quem discorda.
No
fim, o destino de todo Narciso é não ser amado, nem por si mesmo, e é essa dor
que entorpecemos com nossa fabricada espontaneidade e rígido controle de
qualidade da imagem que passamos aos outros nas redes sociais. Como somos
parecidos por lá, já reparou? Além de Narcisos, também somos Eco, a ninfa
condenada pela deusa Hera a somente repetir o que os outros diziam, por ser
muito tagarela. Ela se apaixonou por Narciso, mas não podendo expressar seu
amor, terminou sendo rejeitada, isolando-se do mundo nas montanhas, onde se
transformou em rochedo, mas continuando até hoje a ecoar, a repetir palavras
que parecem, mas não são suas. Por que mesmo você entrou na onda das selfies?
Fonte: Francisco Escorsim, advogado e
professor, é coordenador do Instituto de Formação e Educação de Curitiba (IFE). Artigo publicado no jornal Gazeta do Povo (Curitiba)
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